Onde estão todos os Aliens?

Texto de autoria de
Tarek Haimuri
Graduando em Astronomia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Muitos olham pra cima no céu noturno e pensam: “Será que estamos sozinhos no Universo?”. Pois, se realmente não estamos sozinhos, por qual razão não vemos sinais de vida extraterrestre? Há algo que nos impede de detectar vida? Será que a vida é tão rara assim? Ou será que realmente estamos... sozinhos? Venha entender o que é Paradoxo de Fermi e veja algumas soluções nesse texto!

No dia 13 de Maio de 1897, Guglielmo Marconi estava visitando um resort na beira do mar em Somerset, na Inglaterra. Ele foi para lá a fim de fazer experimentos com o que ele chamava de “telégrafo sem fio”, conhecido atualmente como rádio. Depois de vários experimentos fracassados, nesse dia, Marconi finalmente conseguiu enviar uma mensagem que dizia “Can you hear me?” (Vocês conseguem me ouvir?).

Foto publicitária de Marconi posando com seu aparelho de rádio inicial.

Esse evento marcou uma nova era para transmissões através do globo — o que consequentemente fez a Terra se tornar um grande farol de rádio que diz sua localização continuadamente para o espaço. Mesmo assim, depois de mais de 100 anos, ninguém nos respondeu... então, cadê todo mundo?

Paradoxo de Fermi

Essa pergunta foi feita pelo físico Enrico Fermi, enquanto conversava com outros colegas físicos, em 1950. Durante o almoço, eles discutiam os recentes avistamentos de OVNIs e a possibilidade de viajar mais rápido que a luz. A conversa foi mudando de tópico até que Fermi falou “Mas cadê todo mundo?”.

Enrico Fermi na década de 1940.

Foi daí que veio o nome Paradoxo de Fermi, que seria a discrepância entre a falta de evidência conclusiva sobre vida extraterrestre inteligente comparada com a probabilidade a priori, aparentemente alta, de sua existência.

Fermi pensou o seguinte: se tem bilhões de estrelas parecidas com o Sol na Via Láctea, é muito provável que, em algumas dessas estrelas, há planetas parecidos com a Terra na zona habitável. Além disso, muitas dessas estrelas são bem mais velhas que o Sol, o que daria tempo suficiente para surgir civilizações avançadas que são capazes de viagens interestelares. Se há alta probabilidade de existir vida inteligente na Galáxia, por que não a descobrimos até agora?

Equação de Drake

A mesma linha de raciocínio de Fermi foi utilizada em 1961 pelo astrofísico e astrobiólogo Frank Donald Drake, que formulou uma equação que tentava quantificar o número de civilizações comunicativas na nossa galáxia. Essa equação ficou conhecida como Equação de Drake:

Ela é composta por:

N = Número de civilizações na Via Láctea que as emissões eletromagnéticas são detectáveis.

R* = A taxa de formação de estrelas adequadas para o desenvolvimento de vida inteligente (número por ano).

fp =  A fração dessas estrelas com sistemas planetários.

ne = O número de planetas, por sistema planetário, com um ambiente adequado para o desenvolvimento da vida.

fl = A fração de planetas adequados para a vida nos quais a vida realmente aparece.

fi = A fração de planetas com vida nos quais há surgimento de vida inteligente.

fc = A fração de civilizações que desenvolvem tecnologias que produzem sinais de sua existência.

L = A duração do tempo em que tais civilizações produzem esses sinais (em anos).

Usando essa equação para as estimativas atuais, temos um valor de N = 15,600,000. Ou seja, mais de quinze milhões de civilizações! Mesmo com esse valor, ainda não conseguimos detectar nenhum tipo de sinal de vida na Galáxia — o que nos leva de volta ao Paradoxo de Fermi.

O Grande Filtro

Uma das soluções para o Paradoxo de Fermi foi introduzida pelo economista Robin Hanson, em 1996, chamada de O Grande Filtro. A ideia é que, no desenvolvimento da vida, desde os primeiros estágios da abiogênese até os maiores níveis de tecnologia da Escala Kardashev (escala que mede o desenvolvimento tecnológico de uma civilização a partir do consumo de energia), existem algumas “barreiras” que tornam muito improvável que espécies passem por ela — o que explicaria não observarmos outras civilizações.

Essas “barreiras” do filtro podem ser biológicas, naturais ou tecnológicas. Como exemplos, temos a passagem da vida unicelular para multicelular, a formação de organismos complexos e/ou racionais, as extinções em massa frequentes, os desenvolvimentos de armas nucleares, nanorobôs, entre outras. As barreiras tecnológicas não são causadas pela tecnologia em si, mas sim porque, segundo a hipótese, na natureza, a vida inteligente se autodestrói.

Representação das barreiras do Grande Filtro.

Essa ideia do Grande Filtro é interessante pois nos faz questionar se a humanidade está atrás do filtro ou na frente dele. Se estivéssemos na frente dele, poderíamos ser uma das primeiras espécies a passar dele — o que explicaria o porquê da vida inteligente ser tão rara. Caso estivéssemos atrás, ainda teríamos de enfrentar a barreira. O problema é se conseguiríamos passar dela ou não...

Hipótese da Terra Rara

Outra solução para o Paradoxo de Fermi é a hipótese da Terra Rara, a qual argumenta que a origem da vida e a evolução de processos biológicos na Terra requer uma combinação improvável de eventos astrofísicos e geológicos.

Diferentemente do que Carl Sagan dizia, a Terra não é um planeta típico em um Sistema Solar típico em uma galáxia típica. Galáxias espirais, como a Via Láctea, são raras e nossa localização nela é bem na zona habitável galáctica, isto é,  não estamos nem muito longe e nem muito perto do centro galáctico. Em outras palavras, estamos na distância segura da radiação do buraco negro no centro da Galáxia e, ao mesmo tempo, com poucas estrelas por perto ( causando pouca perturbação gravitacional).

Representação da zona habitável galáctica.

Além disso, nosso Sistema Solar é bem atípico. Temos 4 planetas rochosos e 4 gigantes gasosos, órbitas planetárias estáveis e Júpiter servindo de “escudo” para Terra (desviando possíveis colisões com asteroides devido ao seu enorme campo gravitacional).

 A Terra tem o tamanho perfeito para ter vida, ou seja, não é muito grande a ponto de ter uma atmosfera esmagadora e não é muito pequena a ponto de ter uma atmosfera muito rarefeita. Temos, também, placas tectônicas, uma grande magnetosfera e uma lua com tamanho suficiente para termos marés significativas — o que ajuda na formação da vida. Levando tudo isso em consideração, realmente parece muito ínfima a probabilidade do surgimento de vida em outros planetas.

Hipótese da Floresta Escura

Esta hipótese, introduzida pelo escritor de ficção científica Cixin Liu em seu livro “The Dark Forest", é uma das mais assustadoras soluções para o Paradoxo de Fermi. Ao contrário da hipótese da Terra Rara, essa assume que a vida é abundante no Universo e diz que ele está cheio de civilizações. Entretanto, todas elas são silenciosas e paranóicas, pois é pressuposto que toda civilização espacial veria outras formas de vida inteligente como uma ameaça inevitável e, com isso, iria destruir qualquer forma de vida que tivesse sua presença notada. Contudo, vale ressaltar, novamente, que esta hipótese tem base em ficção científica, ela parte de pressupostos sem comprovação científica!

O livro “The Dark Forest” por Cixin Liu.

Como consequência, o espectro eletromagnético seria relativamente silencioso e sem evidência nenhuma de vida pois todos estariam se escondendo de uma espécie mais avançada, como presas se escondendo de um predador na floresta...

Conclusões...

Mesmo com todas essas ideias, tais quais as apresentadas nesse artigo, não podemos dizer ao certo se estamos ou não sozinhos no Universo pois ainda faltam dados e provas concretas suficientes, no momento, para tal afirmação. Os cientistas continuam buscando, até os dias de hoje, respostas para tais questionamentos. Contudo, o que podemos dizer é que, independente da resposta, será fascinante descobrir os porquês.

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